"Understanding the Student with Asperger Syndrome: Guidelines for Teachers"
by Karen Williams, 1995, FOCUS ON AUTISTIC BEHAVIOR, Vol. 10, No. 2, Copyright, June
l995 by PRO-ED, Inc.
Reprinted by permission.
Entendendo estudantes com a Síndrome de Asperger: Guia para
professores
Do original: Understanding the student with Asperger Syndrome:
Guidelines for Teachers
Autor: Karen Williams
- Universidade de Michigan - Hospital
Psiquiátrico para Crianças e Adolescentes - em “Focus on Autistic
Behavior”, vol 10, nr.2, 1995
Traduzido em 04.96
Crianças diagnosticadas com Síndrome de Asperger (AS) apresentam um
desafio especial no sistema educacional. Vistos tipicamente como
excêntricos e peculiares pelos colegas, suas habilidades sociais inatas
freqüentemente as levam a ser feitas bode expiatório. Desajeitamento e
interesse obsessivo em coisas obscuras contribuem para sua apresentação
“ímpar”. Crianças com AS falham no entendimento das relações humanas e
regras do convívio social; são ingênuos e eminentemente carentes de senso
comum. Sua inflexibilidade e falta de habilidade para lidar com mudanças
leva esses indivíduos a ser facilmente estressados e emocionalmente
vulneráveis. Ao mesmo tempo, crianças com AS (na maioria rapazes) tem
freqüentemente inteligência na média ou acima da média e tem memória
privilegiada. Sua obsessão por tema único de interesse pode levar a
grandes descobertas mais tarde na vida.
Síndrome de Asperger é considerada uma desordem no fim do espectro do
autismo. Comparando indivíduos dentro desse espectro, Van Krevelen
(citado em Wing, 1991) notou que crianças com autismo de baixa
funcionalidade “vivem em seu próprio mundo”, enquanto que crianças com
autismo de alta funcionalidade “vivem em nosso mundo, mas do seu próprio
jeito” (pg.99).
Naturalmente, nem todas as crianças com AS são diferentes. Exatamente
porque cada criança com AS tem sua própria personalidade, sintomas AS
“típicos” se manifestam de formas específicas para cada indivíduo. Como
resultado, não existe uma receita exata para abordagem em sala de aula
que possa ser usada para todos os jovens com AS, da mesma forma que os
métodos educacionais não atendem às necessidades de todas as crianças que
não apresentam AS.
Abaixo estão descrições de sete características que definem a Síndrome de
Asperger, seguidas de sugestões e estratégias de sala de aula para lidar
com esses sintomas. (intervenções em sala de aula são ilustradas com
exemplos de minha própria experiência lecionando na Escola de Psiquiatria
do Centro Médico para Crianças e Adolescentes da Universidade de
Michigan. Essas sugestões são oferecidas somente no sentido mais geral, e
devem ser adequadas às necessidades únicas de cada estudante com AS.
Insistência em semelhanças
Crianças com AS são facilmente oprimidas pelas mínimas mudanças,
altamente sensíveis a pressões do ambiente e às vezes atraídas por
rituais. São ansiosos e tendem a temer obsessivamente quando não sabem o
que esperar. Stress, fadiga e sobrecarga emocional facilmente os afeta.
Sugestões:
- Fornecer ambiente previsível e seguro;
- Minimizar as transições;
- Oferecer rotinas diárias consistentes. A criança AS precisa entender
cada rotina do dia e saber o que a espera, de forma a ser capaz de se
concentrar na tarefa que tem em mãos;
- Evitar surpresas: preparar a criança previamente para atividades
especiais, mudanças de horários ou qualquer outra mudança de rotina,
independente de quão mínima seja;
- Afastar o medo do desconhecido, mostrando à criança as novas
atividades, professor, classe, escola, acampamento, etc com antecedência,
tão cedo quanto possível depois dele/dela ser informada da mudança, para
prevenir medo obsessivo. (por exemplo, quando a criança com AS precisa
trocar de escola, ela deve ser apresentada ao novo professor, passear
pela escola e ser informada de sua nova rotina antes de começar. A
transição da escola velha precisa ser feita nos primeiros dias de forma
que a rotina seja familiar para a criança no novo ambiente. O novo
professor pode descobrir as áreas de especial interesse da criança e ter
livros ou atividades relacionadas disponíveis no primeiro dia da criança.
Dificuldades em interações sociais
Crianças com AS mostram-se inábeis para entender regras complexas de
interação social; são ingênuas; são extremamente egocêntricas; podem não
gostar de contatos físicos; fala nas pessoas em vez de para elas; não
entende brincadeiras, ironias ou metáforas; usa tom de voz monótono ou
estridente, não-natural; uso inapropriado de olhar fixo e linguagem
corporal; são insensíveis e com o sentido do tato deficiente; interpretam
errado as deixas sociais; não conseguem julgar as “distâncias sociais”
exibindo pouca habilidade para iniciar e sustentar conversas; tem
discurso bem desenvolvido mas comunicação pobre; são às vezes rotulados
de “pequeno professor” porque seu estilo de falar é semelhante ao adulto
e pedante; são facilmente passados para trás (não percebem que outros às
vezes os roubam ou enganam); normalmente desejam ser parte do mundo
social.
Sugestões
- Proteger a criança de ser importunada ou bulida;
- Nos grupos mais velhos, tentar educar os colegas sobre a criança com
AS, quando a dificuldade social é severa, descrevendo seus problemas
sociais como uma autêntica dificuldade. Elogiar os colegas quando o
tratam com jeito. Isso pode prevenir que se torne bode expiatório, ao
mesmo tempo que promove empatia e tolerância nas outras crianças;
- Enfatizar as habilidades acadêmicas da criança com AS, criando
situações cooperativas onde suas habilidades de leitura, vocabulário,
memória e outras sejam vistas como vantajosas pelos colegas, aumentando
dessa forma sua aceitação;
- Muitas crianças com AS desejam ter amigos, mas simplesmente não sabem
como interagir. Eles precisam ser ensinados a reagir a situações sociais
e a ter um repertório de respostas para usar em várias situações sociais.
Ensinar as crianças o que dizer e como dizer. Modelar interações
bidirecionais e treinar. O julgamento social dessas crianças se
desenvolve somente depois que lhes são ensinadas regras que os outros
entendem intuitivamente. Um adulto com AS escreveu que ele aprendeu a
“imitar o comportamento humano”. Um professor universitário com AS
observou que seu esforço para entender as interações humanas o fez
“sentir-se como um antropólogo em Marte” (Sacks, 1993, pg. 112);
- Embora sua dificuldade para entender as emoções dos outros, crianças
com AS podem aprender a forma correta de reagir. Quando insultam sem
querer, por imprudência ou insensibilidade, precisa ser explicado a eles
porque a resposta foi inapropriada e qual teria sido a resposta correta.
Indivíduos com AS precisam aprender as habilidades sociais
intelectualmente: seu instinto social e intuição são falhos;
- Estudantes mais velhos com AS podem se beneficiar do “sistema amigo”. O
professor pode educar um colega sensível e hábil quanto à situação da
criança com AS e sentá-los próximos. O colega pode cuidar da criança AS
no ônibus, no recreio, nos corredores, etc, e tentar incluí-lo nas
atividades da escola;
- Crianças com AS tendem a ser reclusos; o professor precisa incentivar o
envolvimento com outros. Encorajar atividades sociais e limitar o tempo
gasto em interesses isolados. Por exemplo, um auxiliar do professor
sentado na mesa do lanche pode ativamente encorajar a criança com AS a
participar da conversa com os colegas, não somente solicitando suas
opiniões e lhe fazendo perguntas, mas também sutilmente incentivando as
outras crianças a fazer o mesmo.
Gama restrita de interesses
Crianças com AS tem preocupações excêntricas ou ímpares, fixações
intensas (às vezes colecionando obsessivamente coisas não-usuais). Eles
tendem a “leitura” implacável nas áreas de interesse; perguntam
insistentemente sobre seus interesses; tem dificuldades para ir avante
com idéias; seguem as próprias inclinações, a despeito da demanda
externa; às vezes recusam-se a aprender qualquer coisa fora do seu
limitado campo de interesses.
Sugestões
- Não admitir que a criança com AS discuta perseverativamente ou faça
perguntas sobre interesses isolados. Limitar esse comportamento
designando um tempo específico do dia, quando a criança pode falar sobre
isso. Por exemplo: a uma criança com AS com fixação em animais e tem
inumeráveis perguntas sobre um tipo de tartarugas ser permitido fazer
essas perguntas somente durante o recreio. Isso fará parte de sua rotina
diária e ela aprenderá rapidamente a se interromper quando começar a
fazer esse tipo de perguntas em outros horários do dia;
- Uso de reforço positivo seletivo, direcionado a formar um comportamento
desejado, é uma estratégia crítica para ajudar crianças com AS. Essas
crianças respondem a elogios (por exemplo, no caso de um perguntador
contumaz, o professor poderia premiá-lo consistentemente assim que ele
pare e congratulá-lo por permitir que os outros também falem). Essas
crianças também devem ser premiadas por comportamentos simples e
esperados que absorva de outras crianças;
- Algumas crianças com AS não querem ensinamentos fora de sua área de
interesse. Exigência firme deve ser feita para completar o trabalho de
classe. Deve ficar muito claro para a criança AS que ela não está no
controle e tem que seguir regras específicas. Ao mesmo tempo, no
entanto, encontrar um meio-termo, dando-lhe a oportunidade de perseguir
seus próprios interesses;
- Para crianças particularmente obstinadas, pode ser necessário
inicialmente individualizar todos os conteúdos em redor de sua área de
interesse (por exemplo, se o interesse é dinossauros, oferecer sentenças
de gramática, problemas de matemática, leitura e escrita sobre
dinossauros). Gradualmente introduzir outros tópicos.
- Estudantes podem receber a tarefa de relacionar seus interesses com o
tema em estudo. Por exemplo, durante o estudo sobre um país específico,
uma criança obssecada por trens pode receber a tarefa de pesquisar os
meios de transporte usados naquele país;
- Usar as fixações da criança como um caminho para abrir seu repertório
de interesses. Por exemplo, durante uma unidade “corredores da floresta”
o estudante com AS que tinha obsessão por animais foi levado não somente
a estudar os animais corredores da floresta, mas a própria floresta, que
é a casa dos animais. Ele se motivou a aprender sobre o povo local que
era forçado a cortar as árvores do habitat dos animais da floresta para
sobreviver.
Concentração fraca
Crianças com AS são freqüentemente desligadas, distraídas por estímulos
internos; são muito desorganizados; tem dificuldade para sustentar o foco
nas atividades de sala de aula (freqüentemente a atenção não é fraca, mas
seu foco é “diferente”; os indivíduos com AS não conseguem filtrar o que
é relevante [Happe, 1991], de modo que sua atenção é focada em estímulos
irrelevantes); tendência a mergulhar num complexo mundo interno de uma
maneira mais intensa que o típico “sonhar acordado” e tem dificuldade
para aprender em situações de grupo.
Sugestões
- Uma tremenda quantidade de estrutura externa precisa ser arregimentada
se se espera que a criança com AS seja produtiva em sala de aula.
Conteúdos devem ser divididos em pequenas unidades e o professor deve
oferecer freqüentes feedbacks e redirecionamentos;
- Crianças com problemas severos de concentração se beneficiam de sessões
de trabalho com tempo definido. Isso as ajuda a se organizar. Trabalho de
classe que não seja completado no tempo limite (ou feito sem cuidado
dentro do tempo limite) deve ser completado no tempo particular da
criança (isto é, durante o recreio ou durante o tempo usado para seus
interesses especiais). Crianças com AS podem às vezes “empacar”; eles
precisam de convicção e programa estruturado que os ensine que agir
conforme as regras leva a reforço positivo (esse tipo de programa motiva
a criança AS a ser produtiva, aumentando a auto-estima e diminuindo o
nível de stress, porque a criança vê a si própria como competente);
- No caso de estudantes de ensino regular, fraca concentração, baixa
velocidade e desorganização severa podem tornar necessário diminuir sua
carga de tarefas de casa/classe e/ou arranjar tempo numa sala de
recuperação onde um professor especial possa dar-lhe a estrutura
adicional que precisa para completar as tarefas de classe e casa (algumas
crianças com AS são tão inábeis para se concentrar que isso gera stress
indevido nos pais, por esperar-se que eles gastem horas toda noite
tentando fazer a lição de casa com seu filho);
- Sentar a criança com AS na frente da classe e fazer-lhe freqüentes
perguntas diretas, para ajudá-lo a prestar atenção à lição;
- Trabalhar uma sinalização não-verbal com a criança (por exemplo, um
gentil toque no ombro) quando não estiver atenta;
- Se o “sistema amigo” for usado, sentar o amigão junto a ele, de modo
que este possa lembrá-lo a voltar à tarefa ou prestar atenção à lição;
- O professor precisa encorajar ativamente a criança com AS a deixar suas
idéias e fantasias para trás e se focar no mundo real. Isso é uma batalha
constante, uma vez que o conforto desse mundo interior é tido como muito
mais atraente que qualquer coisa na vida real. Para crianças pequenas,
até mesmo jogos livres precisam ser estruturados, porque eles podem
entrar num mundo solitário, e jogos ritualizados de fantasia podem
levá-los a perder contato com a realidade. Encorajando a criança com AS a
brincar com uma ou duas outras crianças, com supervisão, não somente
estrutura os jogos como oferece a oportunidade de praticar habilidades
sociais.
Fraca coordenação motora
Crianças com AS são fisicamente desajeitadas e rudes; tem andar duro e
desgracioso; são mal sucedidos em jogos envolvendo habilidades motoras; e
experimentam déficit em motricidade fina que causa problemas de
caligrafia, baixa velocidade de escrita e afeta sua habilidade para
desenhar.
Sugestões
- Encaminhar a criança com AS para um programa de educação física
adaptado, se os problemas motores grossos forem severos;
- Envolver a criança com AS num currículo de saúde e forma física, ao
invés de em esportes competitivos;
- Não empurrar a criança a participar em esportes competitivos, uma vez
que sua fraca coordenação motora só pode levar a frustração e rejeição
dos membros do time. À criança com AS falta a compreensão social da
coordenação das ações de cada um sobre os outros do time;
- Crianças com AS podem precisar de um programa altamente individualizado
que imponha traçar e copiar no papel, acoplado com padrões motores no
quadro negro. O professor guia a mão da criança repetidamente, formando
as letras e conexões das letras e também usa a descrição verbal. Uma vez
que a criança guarde a descrição na memória, ela pode falar para si
própria enquanto forma as letras, independentemente;
- Crianças pequenas com AS se beneficiam com linhas guia, que os ajudam a
controlar o tamanho e uniformidade das letras que escrevem. Isso também
as força a usar o tempo para escrever com atenção;
- Quando aplicando tarefas com tempo definido, certificar-se que a menor
velocidade de escrita da criança esteja sendo levada em conta;
- Indivíduos com AS podem precisar de mais tempo que seus colegas para
completar as provas (fazer as provas na sala de apoio não somente oferece
mais tempo mas também fornece a estrutura adicional e o redirecionamento
do professor que essas crianças precisam para se focar na tarefa em
mãos).
Dificuldades acadêmicas
Crianças com AS usualmente tem inteligência média ou acima da média
(especialmente na esfera verbal) mas falham em pensamentos de alto nível
e habilidades de compreensão. Tendem a ser muito literais: suas imagens
são concretas, a abstração é pobre. Seu estilo pedante de falar e
impressionante vocabulário dão a falsa impressão de que entendem daquilo
que estão falando, quando em verdade estão meramente papagueando o que
leram ou ouviram. A criança com AS freqüentemente tem excelente memória,
mas isso é de natureza mecânica, ou seja, a criança pode responder como
um vídeo que toca em seqüência. As habilidades de solução de problemas
são fracas.
Sugestões
- Providenciar um programa acadêmico altamente individualizado, engenhado
de forma a oferecer sucessos consistentes. A criança com AS precisa de
grande motivação para não seguir seus próprios impulsos. Aprender
precisa ser gratificante e não um motivo de ansiedade;
- Não assumir que a criança com AS aprendeu alguma coisa só porque ela
papagueou o que ouviu;
- Oferecer explicação adicional e tentar simplificar quando os conceitos
da lição são abstratos;
- Capitalizar sua memória excepcional: reter informações fatuais é
freqüentemente seu forte;
- Nuanças emocionais, múltiplos níveis de significado e relacionamentos,
como os presentes em livros de romance, serão freqüentemente não
compreendidos;
- As colocações escritas de indivíduos com AS são freqüentemente
repetitivas, fogem de um objeto para outro e contém incorretas conotações
para as palavras. Essas crianças freqüentemente não sabem a diferença
entre conhecimento geral e idéias pessoais e, então, assumem que o
professor irá entender suas expressões às vezes sem sentido;
- Crianças com AS freqüentemente tem excelentes habilidades de
reconhecimento de leitura, mas a compreensão da linguagem é fraca. Não
assumir que entenderam aquilo que leram com tanta fluência;
- O trabalho acadêmico pode ser de baixa qualidade porque a criança com
AS não é motivada a aplicar esforço em áreas nas quais não se interessa.
Expectativas muito firmes devem ser levantadas sobre a qualidade do
trabalho produzido. O trabalho executado dentro do tempo previsto deve
ser não somente completo, mas feito com cuidado. A criança com AS deve
corrigir tarefas de classe mal feitas durante o recreio ou durante o
tempo que normalmente usa para seus interesses particulares.
Vulnerabilidade emocional
Crianças com Síndrome de Asperger tem a inteligência para cursar o ensino
regular, mas elas freqüentemente não tem a estrutura emocional para
enfrentar as exigências de sala de aula. Essas crianças são facilmente
estressadas devido à sua inflexibilidade. A auto-estima é pequena, e eles
freqüentemente são muito autocríticos e inábeis para tolerar erros.
Indivíduos com AS, especialmente adolescentes, podem ser inclinados à
depressão (é documentada uma alta percentagem de adultos AS com
depressão). Reações de raiva são comuns em resposta a stress/frustração.
Crianças com AS raramente relaxam e são facilmente acabrunhados quando as
coisas não são como sua forma rígida diz que devem ser. Interagir com
pessoas e copiar as demandas do dia-a-dia lhes exige um esforço Hercúleo.
Sugestões
- Prevenir explosões oferecendo um alto nível de consistência. Preparar a
criança para mudanças na rotina diária, para diminuir o stress (veja a
sessão “Resistência a Mudanças”). Crianças com AS freqüentemente se
tornam amedrontadas, raivosas e inquietas em face a mudanças forçadas ou
não esperadas;
- Ensinar à criança como lidar quando o stress a sobrecarrega, para
prevenir explosões. Ajudar a criança a escrever uma lista de passos bem
concretos que possam ser seguidos quando estiver confusa (por exemplo, 1-
respirar fundo três vezes; 2- contar os dedos de sua mão direita
lentamente, três vezes; 3- pedir para ver o pedagogo, etc.). Incluir na
lista um comportamento ritualizado que a criança ache reconfortante na
lista. Escrever esses passos num cartão que vá no bolso da criança de
modo que sempre esteja disponível para ler;
- Efeitos refletidos na voz do professor devem ser reduzidos ao mínimo.
Seja calmo, previsível, e senhor dos fatos nas interações com crianças
com AS, enquanto claramente indique compreensão e paciência. Hans
Asperger (1991), o psiquiatra que deu seu nome à síndrome, notou que “o
professor que não entende que é necessário ensinar às crianças [com AS]
coisas óbvias se sentirá impaciente e irritado” (pg.57). Não espere que
a criança com AS reconheça que está triste/deprimida. Da mesma forma que
não percebem os sentimentos dos outros, essas crianças podem ser também
inconscientes de seus próprios sentimentos. Elas freqüentemente cobrem
sua depressão e negam seus sintomas;
- Professores devem estar alertas para mudanças no comportamento que
possam indicar depressão, como níveis excepcionais de desorganização,
apatia ou isolamento; limiar de stress diminuído; fadiga crônica; choro;
anotações suicidas, etc. Não aceitar a afirmação da criança, nesses
casos, de que está “OK”;
- Informe sintomas para o terapeuta da criança ou faça um exame de saúde
mental, de modo que a criança possa ser avaliada quanto a depressão e
receba tratamento, se necessário. Devido a essas crianças não serem
capazes de perceber suas próprias emoções e não poderem procurar
conforto com os outros, é crítico que depressão seja diagnosticada
rapidamente;
- Esteja consciente que adolescentes com AS são especialmente sujeitos a
depressão. Habilidades sociais são altamente valiosas na adolescência e o
estudante com AS é diferente e tem dificuldades para formar
relacionamentos normais. O trabalho acadêmico freqüentemente se torna
mais abstrato e o adolescente com AS encontra tarefas mais difíceis e
complexas. Em um caso, o professor notou que um adolescente com AS parou
de reclamar das tarefas de matemática e então acreditou que ele estava
copiando muito melhor. Na realidade, sua subsequente organização e
produtividade decaiu em matemática. Ele escapou para seu mundo interior
para esquecer de matemática, e então simplesmente parou de copiar;
- É crítico que adolescentes com AS que estejam no ensino regular tenham
um membro do staff de suporte com quem possam fazer uma checagem pelo
menos uma vez por dia. Essa pessoa pode ver como ele está copiando as
aulas diariamente e encaminhar observações para os outros professores;
- Crianças com AS precisam receber assistência acadêmica assim que
dificuldades numa área em particular sejam notadas. Essas crianças são
rapidamente sobrecarregadas e reagem muito mais severamente a falhas que
outras crianças;
- Crianças com AS que sejam muito frágeis emocionalmente podem precisar
ser colocadas numa sala de aula altamente estruturada de educação
especial que possa oferecer programa acadêmico individualizado. Essas
crianças precisam de um ambiente no qual possam ver a si próprias como
competentes e produtivas. Nesses casos, colocá-las no ensino regular,
onde não podem absorver conceitos ou completar tarefas, serve somente
para diminuir sua auto-estima, aumentar seu afastamento e colocá-las em
estado de depressão. (Em algumas situações, uma tutora particular pode
ser melhor para a criança com AS que educação especial. A tutora oferece
suporte afetivo, estruturado e realimentação consistente).
Crianças com a síndrome de Asperger são tão facilmente sobrecarregadas
pelas pressões do ambiente, e tem tão profunda diferença na habilidade de
formar relações interpessoais, que não é de se surpreender que causem a
impressão de “frágil vulnerabilidade e infantilidade patética” (Wing,
1981, pg. 117). Everard (1976) escreveu que quando esses jovens são
comparados aos colegas sem problemas “instantaneamente se nota como são
diferentes e que enormes esforços tem de fazer para viver num mundo onde
não se fazem concessões e onde se esperam que sejam conformes” (pg.2).
Professores podem ter significado vital em ajudar a criança com AS a
aprender a negociar com o mundo ao seu redor. Uma vez que as crianças com
AS são freqüentemente inábeis para expressar seus medos e ansiedades, é
muito importante que adultos façam isso por eles para levá-los do mundo
seguro de fantasia em que vivem para as incertezas do mundo externo.
Profissionais que trabalham com esses jovens na escola fornecem estrutura
externa, organização e estabilidade que lhes falta. O uso de técnicas
didáticas criativas, com suporte individual para a síndrome de Asperger
é crítico, não somente para facilitar o sucesso acadêmico, mas também
para ajudá-los a sentir-se menos alienados de outros seres humanos e
menos sobrecarregados pelas demandas do dia-a-dia.
Note
See the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (4th ed.;p.77) for
diagnostic criteria.
American Psychiatric Association.(1994. Diagnostic and Statistical Manual of Mental
Disorders(4th ed.) Washington, DC: Author.
Asperger, H. (1991). Autistic psychopathology in childhood. In U.Frith (Ed.),
Autism and Asperger syndrome(pp.37-92). Cambridge,England: Cambridge
University Press.
Dewey, M. (1991). Living with Asperger's syndrome. In U.Frith (Ed.),Autism and
Asperger syndrome (pp. 184-206). Cambridge:, England: Cambridge Unviersity Press.
Everard, M.P. (1976,July).Mildly autistic young people and their problems. Paper
presented at the International Symposium on Autism, St. Gallen, Switzerland.
Happe, F.G.E.(1991). The autobiographical writings of three Asperger syndrome adults:
Problems of interpretation and implications for theory. In U.Frith (Ed.),Autism
and Asperger Syndrome (pp.207-242). Cambridge, England: Cambridge University Press.
Sacks, O. (1993, December 27). An anthropologist on Mars. The New Yorker, 106-
125.
Wing, L. (1981). Asperger's syndrome: A clinical account. Psychological Medicine
11, 115-129.
Wing, L. (l991). The relationship between Asperger's syndrome and Kanner's autism. In
U. Frith (Ed.), Autism and Asperger syndrome (pp. 93-121). Cambridge, England:
Cambridge University Press.
©Karen Williams, l995
PLEASE NOTE: Karen Williams has generously allowed me to include her paper on this
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